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O ROCK DANÇOU

Um dia um homem chegou ao prostíbulo e quis fazer amor com a moça mais bonita do lugar. No entanto este homem não tinha dinheiro e só podia pagar com cheque pré datado. A moça aceitou, desde que ele só gozasse na data de compensação do cheque. O homem foi paciente e esperou. 30 dias depois inundou sua casa com uma explosão de fogos de artifício.

O mesmo aconteceu com o rock nacional. Durante os anos 70 toda ousadia, vontade de se expressar, gana de gritar contra a tirania e a repressão foram se guardando para quando o carnaval chegasse. E chegou, mais exatamente em 1982, quando o grito das Diretas Já se juntava aos berros libertadores nos palcos do país. Depois de anos de silêncio, o Titãs pôde dar nome aos bois, a Rita Lee na obra prima Degustação pôde falar dos podres políticos que até hoje continuam estraganfo nas prateleiras. O Bikini Cavadão pôde ostentar o próprio nome sem censura, assim como o Camisa de Vênus. A criatividade nunca foi tão verdadeira e subversiva. Criar é subversivo. Quem sabia fez a hora e se revelou nos festivais. O Ultraje a Rigor ( um nome que só cabia naquele momento de iminente vômito de ousadia e justiça) invadiu todas as praias do país. O Lobão (com e sem os Ronaldos) causou nos palcos com letras históricas como Revanche. É claro que nem tudo era rock. Em meio a esta excitante explosão de talento e enfrentamento musical, tivemos que aguentar os berros histéricos da Tetê Espíndola. E ainda a marcha fúnebre-religiosa da Amelinha cantando no MPB 80. Foi Deus que fez essa mulher desaparecer. Outras bandas, outros gritos de ousadia sacudiram o país antes tão cabisbaixo e obediente. Ainda pedimos piedade para tanta gente careta e covarde, mas o rock acertou e teve sua grande chance. De repente veio a democracia, veio a liberdade, o mundo ficou flat e careta. Até a publicidade, antes uma profissão tão contestadora, virou trabalho de cartório. Não há mais contra o que se rebelar e a criatividade precisa de um inimigo. Mais que isso, precisa de uma nova expressão que seja mais rica e mais digna que nossas pífias e inúteis reclamações no facebook. Novos tempos que nos fazem lembrar que o Brasil era irreverente mas não sabia.

Roberto Calderón

Mentor anjo, CEO e fundador da FutureLab - Startup Builder and Capital | Especialista em viabilidade e planejamento de Startups, presidente do comitê de e-commerce e premiado em 2015 e 2016 com melhor profissional de marketing digital

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