Ye ye ye

YE YE YE, LA RA LI, YE YE YE, CHUB CHUB, RÔ RÔ RÔ

Depois do assobio, o cha-la-la, o ye ye ye, o la la la são as expressões mais democráticas do mundo moderno. Permitem que qualquer um que não saiba cantar, possa fazê-lo. Para os artistas o la la la principalmente é de uma generosidade incrivel. É a tábua de salvação do cara que está muito louco no palco e esquece o que está fazendo ali. É a saída de emergência do sujeito que no meio do show simplesmente esqueceu qual é a música. É o recurso mais prático do ator que acha que é cantor, mas descobre o contrário em seu primeiro show ao vivo. O lala la la é mais caridoso que qualquer refrão, pois até uma criança consegue pronuciá-lo. Não existe apagão, falta de preparo ou contrapé que o la la la não salve. O melhor é que o la la la , assim como o “oi yeah”, o “hei!”, o “ôôôôu”, é universal e não abre o precedente pra que reclamem sua autoria, já que estas muletas musicais de todos os tempos não foram patentedadas. Se o fossem, o cara teria ficado milionário. Por outro lado, a música ficaria pobre e perderia suas expressões mais democráticas. Sempre prontas para ajudar qualquer cantor em início de careira, sempre à disposição nas prateleiras mentais de artistas de qualquer estilo. Pensando bem, tão disponíveis e camaradas, que melhor que um la la la , cha cha cha ou tchubi tchubi, só mesmo o confortável playback, mas aí não é mais um apelo a democracia, é falsidade ideológica.

Roberto Calderón

Mentor anjo, CEO e fundador da FutureLab - Startup Builder and Capital | Especialista em viabilidade e planejamento de Startups, presidente do comitê de e-commerce e premiado em 2015 e 2016 com melhor profissional de marketing digital

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